Lutry, discreto e charmoso porto à beira do Lac Léman


por Antonella Kann
Lutry, minúsculo porto à beira do Lac Léman, espremido entre Lausanne, Pully, Vevey e Montreux, não chega a ser desconhecido, mas não tem um décimo do glamour de seus vizinhos. E também não consta dos lugares recomendados por guias turísticos. Uma pena, porque justamente estes cantinhos escondidos é que mantêm as características genuínas.


Vai ver porque nunca foi palco de eventos musicais, esportivos ou sociais em grande escala e porisso não há multidões perambulando por lá. A atmosfera é de um vilarejo de interior, e mesmo quem passa por ali a caminho de outras cidades não se toca que bem coladinho ao Lac Léman esse pequeno porto também oferece atrações, como um centrinho antigo, só pra pedestres, calçado de paralelepípedos.




E com muitas lojinhas, ótimos restaurantes, confeitarias e terraços acolhedores.



Eu já fui algumas vezes pra lá, não por acaso, mas como destino mesmo : fosse para tomar um chocolate quente em uma das pâtisseries ou comer uma coupe Danemark ( sorvete de creme com calda de chocolate quente, pecadinho tipicamente suíço) ou mesmo almoçar à beira do lago sentada numa mesa em um dos simpáticos terraço, apreciando o panorama.




E, sabe o que mais? Numa das minhas andanças, descobri até mesmo um salão de cabeleireiro excelente, bem na entrada da cidade, a dois passos da marina.




Durante o ano todo, é programa fazer uma bucólica caminhada rente à água por um calçadão exclusivamente pedestre, intercalado por pequenos jardins e bancos para descansar, e se deleitar com a vista da cadeia de montanhas com eternos picos nevados. O Lac Léman é um ícone da Suíça e emoldura várias regiões.





A marina, verdadeiro cartão postal, é cercada por um quai ( calçadão) arborizado, e abriga centenas de veleiros e embarcações pequenas. Ah, em tempo: nos meses mais quentes, dá até pra dar um mergulho nas águas limpinhas do lago. Tem muretinhas e escadinhas em alguns pontos estratégicos e mesmo as pedras podem servir de apoio.






Uma dica: quem quiser fazer um passeio de barco pode pegar o ferry que faz o percurso pelas cidades à beira do Léman. E´ só ir até o “ponto” no cais, aguardar a sua chegada e embarcar para voltar a Lausanne ou até mesmo ir até Genève.









































Croissant, o rei dos pães

por Antonella Kann
Acabou o pão? Corre uma lenda sobre esta pergunta que teria sido feita por uma famosa rainha francesa diante da falta do alimento básico para o seu povo. “Então que comam brioche”, solucionava Marie Antoinette, que acabou perdendo a cabeça em praça pública, mas, acredito que não tenha sido por deixar de recomendar algo muito mais apetecedor – o croissant. Devia, né, já que foi ela quem introduziu e popularizou a iguaria na França em 1770. No caso, ela era austríaca de Viena, lugar de origem do croissant. E, história à parte, quem foi que disse que só se come um bom croissant em Paris? Olha, um dos melhores que já degustei foi no café da manhã do hotel Mandarin Oriental em Londres. De comer ajoelhado. Mas, também devorei uns maravilhosos no hotel da Lapa em Lisboa. O segredo? Simples : tudo é da massa folheada, mas vai fazer ! Tem que ser muito feeeeeeeeera na cozinha, como já afirmaram. Ah, na Suíça, pode procurar a padaria Taillens, no resort de esqui de Crans sur Sierre, só para comer este croissant feito nos Alpes. Em Madrid, onde costumo passar temporadas prolongadas, faço uma verdadeira peregrinação para cair com dignidade no pecado da gula e acumular calorias ( cerca de 500 por mordida) sem culpa – afinal, no Brasil faço questão de esquecer da existência daquilo que considero o “reis dos pães”...Sendo assim, recomendo dois lugares na capital espanhola para se comprar um fresquinho, crocante, daqueles que derretem na boca e dispensam qualquer acompanhamento: No Cacao Sampaka ( Calle Orellana, 4 Mº Alonso Martinez) e Le Pain Quotidien (Calle Fuencarral,95). A unidade custa em torno de € 1.40 -€1.90. Mas, o que não vale um suculento croissant?

Suíça boa de garfo


por Antonella Kann

Sempre que aterrisso em Genebra, tento programar os vôos para conseguir almoçar ou jantar num dos restaurantes que consta da minha agenda “ secreta”. Como se sabe, na Suíça tem hora pra tudo, e é claro que as refeições não podiam ser uma exceção. Porisso, almoço é estritamente encaixado entre o meio dia e duas e meia da tarde. Isso não quer dizer que você possa chegar às duas e meia pra comer. Não será mais atendido. E´ só a hora de sair do restaurante após ter degustado algumas das delícias que compõem o farto leque de iguarias helvéticas – e vamos tirando fora a fondue, a raclette e aquelas receitas mais famosas. Para o jantar, mesma coisa: ou você senta antes das 9 e 15, ou vai dormir com fome. Com raríssimas exceções.


Há toda uma nova geração de jovens chefs suíços que costuma se esconder nas cozinhas de restaurantes não badalados nas páginas dos guias gastronômicos. Por exemplo, no Restaurant des Arts ( Les Champs Blancs, Chavannes-de Bogis, tel. 22-960 8181 restaurantdesarts@hotel-chavannes.ch ) em Coppet, a cerca de quinze minutos do aeroporto de Genebra, fica dentro de um hotel Best Western chamado Chavannes-de Bogis, de nenhum glamour visível. Porém, sempre que paro lá, seja no jantar ou no almoço, fico pasma com a qualidade da comida, a variedade do menu, a apresentação caprichada dos pratos e da criatividade do chef que vem, diga-se de passagem, cumprimentar um a um os comensais e perguntar se tudo estava nos conformes. Não é legal ? Conheço um bando de restaurantes grã finos ( ou metidos à...) cujo chef sequer se dá ao trabalho de sair de seu casulo.




Outro lugar que transborda de charme é um restaurante que também fica praticamente à beira da estrada, em Bex ( Route de la Lavey), em direção ao cantão do Valais, mas ainda no cantão de Vaud. E´ na realidade um castelo do século 17 que abriga o Hotel Restaurant St.Christophe ( http://www.hotel-restaurant-suisse.com/ tel. 41 24 485 2977), mas o bacana é que as mesas se aninham na antiga torre de vigília. Ou seja, o cenário hiper charmoso – e autêntico - data lá dos idos da Idade Média. E, caso abusar do vinho (beber e dirigir na Suíça equivale a xilindró, sem dó nem piedade!), lembramos que ali também funciona um hotel...butique, recém remodelado, com quartos modernos, wi fi, e tudo que tem direito.


Bem, sobre a comida que é servida por lá, é uma combinação de ingredientes simples – uma boa carne, por exemplo – e sazonais. Ou seja, quando é época de caça, voce vai poder comer cervo, cordona ou se fartar de cogumelos colhidos nas florestas a proximidade... Até uma sopa de cebola vem enfeitada com um adorno de massa folheada. A apresentação dos pratos é de dar água na boca e o sabor exuberante e irretocável. E as sobremesas...bem, peça um “assortissement” ( sortido, com todas que constam do menu) e voce vai querer fazer o resto da estrada correndo pra queimar as calorias. Mas, merece qualquer sacrifício.



Pois é, ainda tem mais alguns endereços bem escondidinhos pra adiantar aos gourmês de carteirinha, mas vamos deixar pra outro post. Muita comida junta pode dar indigestão...rsrsrs.





Four Seasons Park Lane, em Londres: hotel ressurge depois de mega-reforma



Por Alexandra Forbes

Londres tem vivido uma época dourada na hotelaria. Não só há uma série de cinco estrelas com inauguração prevista para 2011 – entre eles o 45 Park Lane, quase vizinho ao Dorchester – como alguns velhos clássicos voltaram à cena mais luxuosos do que nunca e, principalmente, antenados com os gostos atuais.

Há algum tempo, neste espaço, contei da reinauguração do The Savoy, um ícone londrino que passou por uma metamorfose multimilionária. E agora há pouco foi a vez do relançamento do Four Seasons Park Lane, que havia sido fechado em 2008 para extensas reformas.

Muita coisa mudou para melhor. O spa foi do porão para o décimo andar e tem super vistas para o Hyde Park e janelões panorâmicos, por exemplo. O número de quartos foi reduzido: agora são 192, além de 45 suítes de diversos tamanhos (algumas com lareira e terraço).




O restaurante, Amaranto, tenta uma fórmula nova e fluida: cada um come mais ou menos formalmente, no horário que quiser, podendo até escolher um de três ambientes diferentes – não é preciso reservar. Um híbrido de lounge e restaurante, de menu italianado, tocado por chef trazido de Roma.

Four Seasons Park Lane: Hamilton Place, Park Lane, Tel. 44 (20) 7499-0888

Èze em tempo de primavera

Por Antonella Kann

Procurei logo na web pela temperatura na Côte D´Azur. O sul da França é, pour ainsi dire, bem mais protegido das intempéries do que Paris e adjacências. Faz um tempinho que conheci uma cidadezinha muito fofa, a poucos quilometros de Nice, onde dá para passar o dia, uma tarde, pernoitar, passar um fim de semana a dois, enfim, um lugarzinho para recomendar.








Chama-se Èze, e é um vilarejo medieval encravada num promontório, onde não entra carro, não passa nenhum veículo motorizado e quem quiser que suba a pé pelas ruelas calçadas de pedras.









Ladeadas, claro, por lojinhas para turistas, restaurantes e cantinhos aconchegantes para tirar fotos.




Vai subindo toda a vida, até chegar no cume. Porque vale gastar as calorias, que depois serão regiamente repostas com um almoço gastronômico no Chateau Eza, onde voce precisa pedir uma mesa no terraço ( vista um bom agasalho que dá pra segurar o frio) e admirar a vista que se descortina lá de cima. E´ um panorama sobre praticamente todo o litoral, e mesmo no finalzinho do inverno, é maravilhoso.
Mesmo com um pouco de friagem, acho que pode ficar muito romântico.













Os melhores hoteis do vale do Douro, em Portugal: Romaneira, Quinta do Vallado, etc.


por Alexandra Forbes


Ano vai, ano vem e eu sigo com uma vontade crescente de embrenhar-me no vale do rio Douro, em Portugal. Pegar um carro ou trem, subir de Lisboa até o Porto - ponto de partida para qualquer expedição pelo Douro - e dali percorrer as vertiginosas estradinhas que beiram o vale profundo que corta a terra semi-árida daquele encantador pedaço de mundo.

O vale foi considerado durante séculos um canto pitoresco mas pouco glamouroso da Europa, famoso apenas pelos vinhos do Porto. Mas isso está mudando – e rapidamente. Trata-se, simplesmente, de uma região deslumbrante que vive grandes transformações, em plena ebulição. Querem prova? Então não deixem de assistir esse vídeo (com a banda larga vagabunda que se tem no Brasil, há que esperar um pouco para dar tempo de baixar direito, assim o filme passa sem interrupções).




Lindíssimo, não? A cereja no bolo é a seguinte: o Boa Vida tem um leitor, o Miguel Santos, que mora… no Porto! E, com sorte, vai me ajudar a bolar o roteiro ideal...


Difícil vai ser escolher onde ficar.... 
Se antes quase não havia hotéis bacanas naquela região, os últimos dois anos foram repletos de inaugurações e agora há muita escolha de lugares para se hospedar em grande estilo. Entre os melhores novos hotéis estão o Aquapura (da mesma família portuguesa que esteve enroscada com aquele elefante branco – ou cinza – em Itacaré), o Romaneira Quinta dos Sonhos e a Quinta do Vallado (em cuja homepage as intruções são claras – mova o rato (!!!) sobre a imagem).

A seguir, alguns dos melhores hotéis:


Aquapura Douro
Quinta do Vale do Abraão, Samodães, Lamego, 254-660-600, aquapurahotels.com
Da mesma família dona do Aquapura de Itacaré, o elefante cinza que foi embargado pelo Ibama. Segundo a Food&Wine, “fica do outro lado do rio de Régua – uma virtude, porque de longe, especialmente sob a luz da lua, Régua é um charme. O hotel é uma quinta do século 18 que foi reformada num estilo vagamente asiático. Dos quartos se tem vista para o rio Douro através de vidraças do chão ao teto”.





Quinta da Romaneira Cotas, Alijó, 254-732-432, maisonsdesreves.com
Chique no último. Ponto.




E mais três hotéis bacanas no Douro:

Quinta do Vallado (Vilarinho dos Freires, Peso da Régua, 254-323-147, quintadovallado.com. O solar de 1716 tem cinco quartos. 

Quinta do Portal (N-323 Celeirós do Douro, Sabrosa, 259-937-104, quintadoportal.com. O novo armazém de envelhecimento foi desenhado pelo arquiteto Álvaro Siza. 

Vintage House (Lugar da Ponte, Pinhão, 254-730-230, cs-vintagehouse.com, da rede Relais & Chateaux.

Hotel novo em Londres: Corinthia, com vista para o Big Eye

por Alexandra Forbes


Se eu contasse para minha irmã quantos hotéis andam abrindo em Londres – onde ela mora – de bate-pronto, ela responderia: “it’s the Olympics, stupid”.

Savoy, Four Seasons, etc etc etc.

De fato, só pode ser isso mesmo: as Olimpíadas 2012 impulsionando as inaugurações. O fato é que nunca vi tantos hotéis abrindo em Londres na mesma época. Uma verdadeira enxurrada!




O último da leva? O lindinho Corinthia, com pinceladas de verde-ervilha, chique, de frente para a roda-gigante London Eye.


Vi as fotos. Gostei muito. Agora, resta fazer o test-drive!


Corinthia Hotel: Whitehall Place
Tel: +44 (0) 20 7930 8181
E-mail: london@corinthia.com