A Europa em 2011


por Antonella Kann
A Europa está sob neve, a situação está caótica e porisso não tenho postado muita coisa a respeito. O ano finda, e daqui a pouco o tempo vai se mostrar um pouco mais clemente, esperamos....
Enquanto isso, desejo a voces uma passagem feliz para o ano 2011, e por alguns dias terei um repouso de blogueira. Na minha volta, espero postar várias sugestões para que a Europa seja um dos destinos escolhidos para as férias dos pequenos e grandes. Afinal, o Velho Continente é versátil e esconde inúmeros roteiros diferenciados.
Entre minhas resoluções de viagem para 2011 estão uma esquiada na região de Alta Badia, nas montanhas Dolomitas; uma caminhada na Eslovenia; uma fugida para Malta; um pulinho na ilha de Creta...Tudo isso será compartilhado com voces....
Se o tempo ajudar....

Um Relais & Châteaux que emana paixão em Coimbra: a Quinta das Lágrimas.


por Antonella Kann

Assim que a gente coloca os pés no belo saguão desta mansão aristocrática, a vibração é intensa : logo na entrada, nos deparamos com o vestido de D. Inês erguido num manequim. Pra quem é muito sensível, vá se preparando pois pode até dar uns calafrios. Coitada, morreu tão tragicamente, pagando pela sua grande paixão...proibida!!!



Pois a história da rainha morta é real e todo o cenário também: entre no túnel do tempo e chegue em Portugal na Idade Média, quando o príncipe era dom Pedro; seu pai, o rei , era Dom Alfonso IV e a fidalga sua prima D. Inês de Castro. Grande parte desta história de amor foi vivida em Coimbra, mais especificamente nos arredores de uma quinta onde está erguido um palacete construído no século 18 e hoje abriga um sofisticado hotel da rede Relais & Chateaux. Emoldurada por um magnífico parque de 120 mil metros quadrados, a Quinta das Lágrimas ainda emana a história desta paixão.



No restaurante Pedro & Inês, que ostenta uma estrela Michelin, o cardápio é sofisticado e saboroso.



A Rainha Morta, como é mais conhecida esta fidalga, causa uma impressão bem forte...Logo imaginamos as cenas dos encontros secretos, das juras de amor , do desfecho bruto e do cenário de desolação após a sua morte.

Na recepção, uma escultura da Inês, talhada em pedra, nos remete novamente ao passado e a lenda vivida entre os ilustres personagens. E´ que, apesar de Pedro e Inês não terem conhecido este palacete, deixaram suas auras no espaço. Todo o ambiente, a decoração , a sobriedade dos longos corredores, o pé direito alto, o pátio interno e os magníficos jardins são dignos de realeza.


Os corredores, longos e largos, ocultam as acomodações de luxo, amplas e confortáveis, com vista para o jardim e o green.



Hoje, quem também se delicia regiamente são os golfistas, que encontram ao seu dispor, ao pé do hotel, um campo de golfe pitch and putt de 9 buracos e mais um putting green . Além disso, o Quinta das Lágrimas atrai uma clientela pela gastronomia renomada de seu restaurante, o Arcadas, onde o destaque é o menu degustação, intitulado – voce adivinhou! – “Pedro & Inês” . E que tem tudo para propiciar muita alegria aos comensais.



Hotel Quinta das Lágrimas
Rua Antonio Augusto Gonçalves s/n
http://www.quintadaslagrimas.pt/
lagrimas@relaischateaux.com








Restaurante Dinner, de Heston Blumenthal, abrirá 31 de janeiro em Londres

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por Alexandra Forbes

Definitivamente, o allure dos restaurantes em hotéis, depois de anos de decadência, voltou com tudo em Londres. Mais especificamente, há dois cinco estrelas de peso – o Mandarin Oriental, em Knightsbridge (na foto acima), e o The Berkeley, em Mayfair – investindo pesadamente em chefs estrelados. O último a entrar em cena foi o grande Pierre Koffmann, cujo novo bistrô no hotel The Berkeley alçou-o de medalhão semi-aposentado a assunto de todas as rodas gastronômicas.


Já falei aqui no Boa Vida do Bar Boulud, delicioso restaurante francês do chef Daniel Boulud, inaugurado em maio passado no Mandarin Oriental.

Mas agora, quem vai estrear no mesmo Mandarin Oriental vai ser ninguém menos que Heston Blumenthal. Aposto que será O acontecimento gastronômico de 2011 na capital inglesa. E corram: a linha para fazer reservas abriu ontem!! Meu conselho para quem estiver planejando ir a Londres? Ligar já, ou reservar online, antes que não sobrem mesas!






O restô de Heston irá se chamar Dinner by Heston Blumenthal. Ele vai basear o menu numa pesquisa dos últimos 500 ou 600 anos de história gastronômica inglesa – ou seja, versões contemporâneas de pratos antiquíssimos.

O novo restaurante será o oposto de seu famoso The Fat Duck. Ou seja: esperem uma brasserie ruidosa, com muitas carnes assadas no espeto como na antiguidade, e alusões estéticas à passagem do tempo. Terá 158 lugares e irá incorporar muito couro e madeira ao décor.




Dinner by Heston Blumenthal
Mandarin Oriental Hyde Park, 66 Knightsbridge,
Tel. + 44 20 7235 2000

Primeiras nevascas em Crans Montana

por Antonella Kann



O inverno dura até a Páscoa na sofisticada estação suíça de Crans –Montana, situada na região do Valais, a apenas 160 quilometros de Genebra.




Nada menos do que 160 quilometros de pistas destinadas ao esqui e snowboard, outros 50 traçados especificamente para os praticantes do esqui de fond, e mais de 40 modernas instalações mecanicas. Isto é Crans-Montana, também conhecida como plateau du soleil , localizada a 1500 metros de altitude, no planalto mais ensolarado do cantão do Valais.



Além dos tradicionais esportes de inverno, existem dezenas de itinerários para quem gosta de passear ao redor de lagos congelados como o Lac de la Moubra, ou em trilhas demarcadas nos bosques, seja simplesmente caminhando na neve ou fazendo uso de uma nova, fácil e divertida modalidade aeróbica, o raquetismo.



Para os mais aventureiros em busca de muita emoção, há programas radicais como voos panoramicos de balão, saltos em parapentes, cavalgadas na floresta e, claro, o heliski. Ainda no quesito nevado, e para quem se contenta com menos adrenalina, há ringues de patinação, descidas em treino e excursões noturnas usando raquetes de neve.




A Cabane des Bois , um simpático chalé no alto da pista dos Violettes, oferece uma vista deslumbrante sobre a cadeia de montanhas, mas é na hora do almoço que os esquiadores afluem para o seu terraço para degustar uma fondue de queijo, regada ao fendant, o vinho regional do Valais. Depois, fica até mais fácil continuar a esquiar.



Nenhum esquiador precisa ficar com medo de subir até o ponto mais elevado de Crans, que está a 2800 metros de altitude. A pista de Bellalui é larga e apenas um pequeno trecho inicial pode aparentar difícil. Mas, vale a pena subir de bondinho até lá, nem que seja apenas para tomar uma deliciosa xícara de chocolate quente e admirar o panorama deslumbrante.



No mes de janeiro se realiza há quase 30 anos o Encontro Internacional de Balões, ou melhor dizer, de montgolfières. Durante tres dias, o céu de Crans-Montana fica enfeitado com as cores vivas dos balões que são trazidos de inúmeros países. Há também a oportunidade de fazer um batismo de voo gratuito, decolando do lago congelado Etang Long. E´ uma experiência que dispensa palavras.




Pensou em passar uma temporada por lá? Visite então o http://www.crans-montana.ch/







As estátuas humanas de Madrid

por Antonella Kann

Bem, como vocês podem notar, continuo em Madrid, apesar de algumas fugas esporádicas quando tenho alforria de dias ou horas.


Perambulo sempre pelas calles da cidade, em busca de algo inusitado ou até mesmo pra ver aquilo que gosto de admirar. Uma delas são as estátuas humanas que se fincam, literalmente, em lugares repletos de turistas.


E é justamente com essa turistada que eles brincam: da imobilidade total, de repente um deles dá um pulo encima de algum pedestre, que por sua vez solta um gritinho...e o resto da turma, que em geral fica rodeando a “estátua”, cai na gargalhada.


Algumas estátuas encarnam soldados e podem até sacar uma “arma”. Outros se movem em camera lenta de tempos em tempo. E em volta deles sempre fica uma pequena multidão, à espera de uma reação qualquer.


O objetivo, é óbvio, é arrecadar um dinheirinho. Afinal, esses artistas de rua são profissionais e já vi algumas vezes eles se “produzindo”. Cada um tem seu ponto.


A maior parte deles fica nas redondezas da Plaza Mayor e da Porta do Sol, redutos turísticos mais freqüentados de Madrid. E´ lá que a turma senta pra degustar tapas, tomar cerveja e fazer shopping. Também é por lá que se concentra o comércio fashion a preços convidativos, do tipo H& M, Zara, Sfera e , claro, El Corte Inglés e a FNAC, onde se pode comprar de tudo um pouco.


As estátuas humanas são, digamos assim, um ícone da cidade, e a cada ano surpreendem pela criatividade. Já vi cada uma de ficar arrepiado. E eles conseguem sempre inovar e merecem cada euro doado!






Os melhores hoteis de Madri: Orfila, De Las Letras, Vincci Soma, etc


Hotel Orfila, em Madri
Por Alexandra Forbes

Pedido de leitor, pra mim, é uma ordem. E a Camille Gimenez está indo a Madri e pediu dicas de bons hotéis com diárias até 300 Euros.

Primeiro, logo me lembrei do Relais & Chateaux Orfila, que embora pertença à pomposa associação até que não custa tão caro... Tem no site deles um pacote de 3 noites a mil Euros que inclui, ainda por cima, vários extras....

Em seguida, pedi ajuda para minhas amigas especialistas em Espanha: Dri Setti, do blog Achados, e Antonella Kann, jornalista carioca globetrotter cuja filha mora lá, co-autora deste blog.

Hotel Orfila, em Madri


Antonella concordou comigo e respondeu o seguinte:
"O Orfila (o único Relais & châteaux em Madri) fica num bairro ótimo (Chamberi) e ao lado de tudo. E pela net vc consegue umas tarifas abaixo de 200 Euros, às vezes. Mas não passa de 300 Euros. www.hotelorfila.com
 
Depois tem o de las Letras (www.hoteldelasletras.com)  que é show de bola, em plena Gran Via. Mas pode pedir andar alto porque é barulhenta aquela área.

O antigo Bauza, na Goya , mudou de nome e dono, deixe eu ver se me lembro....sim, virou Vincci Soma....www.hotelvinccibauza.com     Cinco estrelas, muito boa localização e consegue bom preço. Excelentes roof top suites, um barato!"


E veja os hotéis BBB (bons, bonitos e baratos) recomendados pela Dri Setti no blog dela, o Achados:

Chic & Basic Colors Este achado tem apenas dez quartos decorados com combinações divertidas, entre móveis, paredes e tecidos coloridos. Todos têm TV de tela plana, ar-condicionado e caixas de som para iPods e companhia. A simpática área comum tem internet wi-fi, revistas e jornais.

Laura Os ambientes foram concebidos pelo badalado designer de interiores Tomas Alia, que abusou de papéis de parede com grafias, estampas e cores divertidas. Todos os 36 quartos (alguns dúplex) têm internet wi-fi e cozinha equipada.

Mario Em 2003 o grupo Room Mate inaugurou com este hotel um novo conceito de hotéis, que une design a preços acessíveis e localização perfeita. A biblioteca é o lugar perfeito para acompanhar as últimas tendências musicais. A decoração, como em outros hotéis do grupo, é também assinada pelo designer Tomas Alia, que concebeu ambientes minimalistas e coloridos.

Meninas Este hotel-butique com preços incríveis ocupa um edifício do século 19. A decoração é clássica com um pé no minimalismo. Todos os quartos contam com internet a cabo e as áreas comuns têm internet wi-fi grátis.

Chic & Basic Mayerling Novíssimo, com 22 quartos, é o mais exclusivo da ótima rede Chic & Basic, notória por seus hotéis bons, bonitos, badalados e a bom preço. Segue a mesma linha de decoração minimalista com o predomínio do branco, enfeitado com detalhes em cores vivas. Como mimo extra, o espaço “love yourself” tem academia, solário e Nintendo Wii.

Chic & Basic Atocha Novíssimo hotel com 36 quartos. Segue a mesma linha de decoração minimalista com o predomínio do branco dos outros hotéis da rede. Na sala “help yourself”, sanduíches e outros petiscos para matar a fome fora de hora.

Óscar Mais um da rede Room Mate. Óscar (a personagem fictícia que é o “anfitrião” desta unidade) é um ator bem-apessoado, extrovertido, cosmopolita e boêmio. Ou seja, um típico frequentador de Chueca, perfil para o qual os 75 quartos deste hotel foram concebidos. Numa das apostas mais ousadas da rede, assinada pelo onipresente Tomás Alia, os quartos são decorados com enormes fotos de homens e mulheres nus. Todos são equipados com wi-fi grátis e TV de tela plana. Na cobertura, fica uma das piscinas mais bonitas e animadas de Madri.

Chianti, uma região para 4 estações

por Antonella Kann

Tomando Siena como ponto de partida, o circuito não chega a 200 quilômetros. Procure sempre circular pelas estradinhas secundárias, que margeiam os vinhedos e atravessam os minúsculos vilarejos. Escolha uma cidadezinha para pernoitar e trace um circuito próprio. As distancias em Chianti são pequenas, porém é muito fácil se confundir, pois além das estradinhas sinuosas serem bem parecidas, a sinalização é um pouco confusa naquela região rural. Mas seja lá onde for parar, haverá sempre uma paisagem exuberante.



Mas, considerando que se trata de um dos recantos mais lindos e charmosos da Toscana rural, se perder faz parte do programa e a única surpresa fica por conta da paisagem exuberante que vai ser descortinada atrás de cada curva. Chianti é demarcada ao norte pela cidade de Florença e ao sul por Siena, que fica a apenas 20 km de alguns dos vilarejos mais atraentes da região. Logo após deixar a superstrada Firenze-Siena, é inevitável ( e fundamental) se embrenhar pela topografia montanhosa de Chianti.

O maior impacto é a sensação de estar voltando no tempo, pois a arquitetura local - composta por monumentos, igrejas, cidadelas fortificadas e castelos que datam dos séculos 14, 15 e 16 - permanece intacta. A explicação está em fatos históricos: após a 2ª Guerra, os habitantes das áreas rurais deixaram os seus vilarejos nativos e migraram para as grandes cidades. A região de Chianti ficou praticamente abandonada, mas graças a isso as suas construções seculares não foram desfiguradas pela arquitetura moderna que tanto enfeou os traços de belíssimas cidades.




Até porque a maioria das iguarias da região de Chianti encontradas nas prateleiras – vinhos, prosciutto, funghi porcini (cogumelos desidratados) queijos e óleo de oliva – são produtos relativamente caros. Mas mesmo sem comprar tudo que deleita os olhos, não deixe de entrar pelo menos uma vez naquelas mercearias familiares encontradas em toda cidadezinha, como as de S. Donato in Poggio e Castellina in Chianti .


E falando em guloseimas, gelato rima com pecato – pelo menos no idioma de Dante. A coincidência não é apenas fonética : o sorvete italiano faz qualquer mortal sucumbir à tentação e cometer o pecado da gula. Irresistíveis eles são, estes gelati expostos impiedosamente em vitrines em quase todas as esquinas, numa vasta seleção de sabores que atende por nomes tão cremosos quanto o seu paladar : sorbetto, granita, cassata, amaretto, fiori di latte, zapaione, bacio, fragola, frutti di bosco, nocciola, granito di limone, stracciatella, entre muitos outros que soam ainda mais pecaminosos.








Mas vamos lembrar que Chianti, antes de mais nada, tem uma prestigiosa tradição enológica. Devido às suas origens vulcânicas, o solo arenoso só se presta bem para vinhedos. Banhado por uma inusitada luz âmbar que banha os relevos da natureza, Chianti se transforma num quadro de indescritível beleza. A paisagem hipnotiza o visitante em qualquer época do ano. Nos meses de inverno faz frio, mas não é aquele frio de rachar. De inconveniente, há ventos fortes, mas pouca chuva, e o sol é suave nos dias claros. No outono, aquelas hordas de turistas demandantes já se dissiparam, o que permite rodar pelas cidadezinhas desafogadas.