
Por ser descendente direta de húngaros, há quase quarenta anos vou para Budapeste com uma certa frequencia. No inverno, na primavera, no outono, no verão. Em qualquer estação do ano, a cidade é encantadora. Digo isso não apenas por razões sentimentais, pois desde muito a vejo com olhos de turista também. E mesmo nos idos tempos, quando ainda estava encarcerada atrás da cortina de ferro, a capital da Hungria era fascinante.


No ano passado, no mês de junho, ocorreu algo muito curioso, embora típico para os cidadãos: as águas do Danúbio, devido às fortes chuvas que assolaram outras regiões, simplesmente começaram a subir, e dia após dia eu observava o nível do rio alcançar a margem, depois invadir as calçadas mais baixas, até chegar num ponto onde até os trilhos do tram (bonde elétrico e meio de transporte publico) que circula à beira-rio estavam encobertas.






Com a maior naturalidade, as pessoas andavam de bicicleta pelo calçadão, evitando as poças, o trafego era desviado dos locais alagados, alguns túneis foram interditados e mesmo assim a rotina de Budapeste continuou como se nada estivesse acontecendo.


Aos domingos, no Chain Bridge, tem uma feirinha de artesanato que atrai multidões. Ao longo de toda extensão da ponte mais famosa da cidade, barraquinhas são montadas, vendendo cerâmicas, artefatos de couro e de madeira, e ainda um montão daquelas bonequinhas húngaras, de roupinhas bem coloridas. Se tiver com fome, tem sanduíches, e uma grande variedade de salsichas, temperadas ou não, além de pratos típicos, como goulash e outros à base de páprika.