Bistrôs baratos em Paris: os favoritos de Marco Rezende

Bistrot Benoît, do Alain Ducasse

Por Alexandra Forbes


Comer bem e barato em Paris não é problema: a cidade sempre terá seus milhares de bistrôs, muitos dos quais servindo comida muito bem-feita a 30 ou 40 euros por pessoa. O jornalista Marco Rezende, meu ex-chefe e ex-diretor de redação da revista VIP, recomenda dois especialmente bons.


“O Afaria (o nome quer dizer “à mesa”, em basco) é de um cozinheiro que trabalhou com o chef Daniel Boulud e outros gigantes e resolveu ser dono do próprio nariz, num bistrozinho no 15ème, com mesas na calçada no verão – uma delícia”, diz. “Cozinha levíssima, bonita, gostosa e com sobremesas fabulosas. Comemos um peixe grelhado maravilhoso e um leitãozinho de leite de babar.”


Outro favorito de Rezende é o Florimond, no 7ème. “Atende a burguesia do bairro em torno da Tour Eiffel e serve caça no outono”, conta ele. O carro-chefe é o elogiadíssimo repolho recheado.
Quem prefeir um bistrô com a grife de um chef multi-estrelado – e estiver disposto a pagar mais por isso – deve reservar mesa no Benoît ou no Aux Lyonnais, ambos de Alain Ducasse. No primeiro, a especialidade é o miolo de vitela (24 euros) mas fazem também escargots ao alho (22 euros) e filé mignon com macarrão gratinado (38 euros). No Aux Lyonnais um jantar de vitela com espinafre seguida de musse de chocolate custa 30 euros por pessoa, mais taxas e bebidas.

vieiras do Bistrot Benoît


Afaria: 15, rue Desnouettes Tél. 01 48 56 15 36
Aux Lyonnais
Benoît
Le Florimond: 19 avenue de la Motte Picquet Tel. 33 01 45 55 40 38

O lado B do Plaza Athenée, em Paris: o hotel é super kid-friendly!


Por Alexandra Forbes


Aos conhecedores da Paris clássica, o nome Plaza Athenée faz lembrar muitas coisas. Chanel, Dior, Valentino, Céline e Lacroix, por exemplo, cujas boutiques ficam a poucos passos do hotel, na très chic avenue Montaigne. Ou Alain Ducasse, o rei dos chefs franceses, cujo principal restaurante – três estrelas Michelin, bien sûr! – ocupa espaço nobre em frente ao lobby e com vista para o famoso pátio florido.  Ou chá com madeleines servidas em bandejinha de prata, nas lindas mesas baixas de toalhas engomadas que ladeiam esse mesmo pátio, na Galerie des Gobelins, sempre enfeitadas com flores frescas.

Hôtel de Crillon: história e renovação em perfeito balanço


Por Alexandra Forbes

    Na hotelaria de luxo, nada poderia ser mais falso do que o ditado “não se deve mexer em time que está ganhando”. Que o diga o sangue azul Hôtel de Crillon, construído sob as ordens do rei Louis XV em 1758 para ser seu palácio particular e convertido em hotel em 1909. Considerado um dos mais opulentos e exclusivos cinco estrelas de Paris, mantém-se no topo há um século justamente por saber se renovar.






     Se o lobby revestido de mármore do piso às paredes, espessos carpetes Aubusson, espelhos dourados, afrescos e candelabros de cristal estão lá desde sempre, os gadgets tecnológicos nos quartos e o bar com design da estilista Sonia Rykiel são novidade. Se a rainha Marie Antoinette tinha suas aulas de piano no salão que hoje leva seu nome e mantém a mesma tapeçaria Gobelin e os mesmos ornamentos, hoje fazem sucesso as aulas com o personal trainer que fica de plantão na moderna sala de exercícios, de segunda a sexta. Todos os salões e apartamentos recebem novos estofados e décor periodicamente, para manterem o frescor (a última grande reforma foi em 2008, comandada pelo arquiteto Thierry Despont).

    O famoso restaurante Les Ambassadeurs, que ocupa o antigo salão de bailes do duque de Crillon – piso com seis tipos de mármore, lustres de cristal e poltronas de veludo – também está para receber lufada de ar fresco. Depois de anos sob o comando de Jean-François Piège, ex-Plaza Athenée, fechou para rápida renovação e reabriu há pouco tempo de chef novo: Christopher Hache. Apesar dos 28 anos de idade, o jovem chef já cozinhou sob a batuta de grandes como Alain Senderens, Eric Fréchon e Régis Marcon.  Ventos novos, portanto.



    Se há uma coisa que jamais será mudada no Crillon é seu prestigioso endereço, no coração da Paris histórica ea poucos passos do Faubourg St. Honoré. Dos grands palais parisienses (entre os quais incluem-se Hôtel Meurice e Hôtel Ritz), o Crillon pode gabar-se de ter a melhor vista. O palácio fica defronte à Place de la Concorde (onde a mesma Marie Antoinette viria a ser decapitada), e das melhores suítes se vê a Pont de la Concorde, o Musée d’Orsay, os jardins Tuileries, a abóboda envidraçada do Grand Palais e até a Torre Eiffel. Paris inteira, em suma! 

Yam Tcha, da jovem chef Adeline Grattard, em Paris: hype total


Por Alexandra Forbes


Pouca gente notou, mas esteve no Brasil recentemente uma das estrelas da cena gastronômica atual: Adeline Grattard, chef-proprietária do Yam Tcha.

Em Paris, Alain Ducasse e Joël Robuchon sempre serão os grandes, mas quando se fala de gente nova, que está chegando para chacoalhar um pouco as tradições, não há nome mais em voga do que o da jovem Grattard. Gentil e modesta,  a jovem de olhos azuis e 32 anos surgiu em cena quando conquistou, para surpresa de muitos, sua primeira estrela Michelin. Poucos conheciam o restaurante dela, o pequenino Yam Tcha – e aquilo criou grande curiosidade nos meios gourmets.

Grattard fez carreira curta porém sólida. Deixou sua Bordeaux natal, foi estudar gastronomia em Paris e logo arrumou vaga no tri-estrelado L’Astrance, outro pequeno grande restaurante, de outro jovem chef, Pascal Barbot. Com ele, ela aprendeu tudo: foram três anos trabalhando juntos. Ela saiu porque queria viver em Hong Kong, de onde vem seu marido. Dois anos de China, volta a Paris, abertura do Yam Tcha e – zás-trás! – logo veio a estrela Michelin. No restaurante, de apenas 20 lugares, ela serve uma cozinha franco-chinesa. As carnes e os peixes são preparados à moda francesa, em peças maiores, enquanto os acompanhamentos têm forte pegada chinesa (muitos preparos no vapor, uso frequente de molho de feijão e de soja, etc).

Grattard foge dos holofotes e nem sequer fez um site para seu restaurante. Foi grande sorte, portanto, eu poder tê-la entrevistado duas semanas atrás, enquanto passava férias no interior da França. A entrevista, não posso revelar ainda, mas fica a dica: o Yam Tcha é uma pequena jóia no coração de Paris. Trata-se do tipo do lugar que requer fazer reserva com muita atecedência, mas que recompensa o esforço com menus-degustação não só deliciosos mas servidos em ambiente intimista, onde nota-se a mão da própria chef em tudo.

Grattard esteve recentemente em Minas Gerais a convite do Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Tiradentes, onde fez uma apresentação e serviu um menu degustação na pousada Pequena Tiradentes.

Também participaram do festival Margot Janse, chef executiva do Le Quartier Français (Franschhoek, África do Sul), que ocupa o 31º lugar no ranking dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo), e Angela Hartnett, fiel escudeira de Gordon Ramsay e chef do Murano e do York & Albany (Londres).

Yam Tcha: 4, rue Sauval, tel. (33-1) 40.26.08.07 (não tem website!)

Restaurantes Chez Dominique e Savoy, em Helsinki: o clássico ganha do moderno


 
Por Alexandra Forbes


Fui à Finlândia só mesmo por causa de um evento de chefs especialíssimo chamado Cook it Raw (eu contei tudo em detalhes em meu blog Boa Vida, neste link). Praticamente não vi Helsinki além de flashes avistados da janela do táxi, e uma curta caminhada na manhã seguinte à chegada, para ver o mercado.



Não vi. Mas comi, claro.

Na primeira noite, jantei no Chez Dominique, que apesar do nome é um restaurante ultramoderno tocado por um chef que de francês não tem nada: Hans Välimäki.





Os pratos de meu menu degustação, de uma forma geral, eram mais bonitos do que gostosos, para minha surpresa. Dos vários amuse bouches, o mais bobinho era o fish and chips: um bolinho de bacalhau com um mísero palitinho de batata frita. Um amuse bem-resolvido era este abaixo: uma torradinha ondulosa com pó de vinagre.




O problema, acho, é quando se servem coisinhas minúsculas que sequer enchem a boca, e que por isso passam desapercebidas. Much ado about nothing, sabem? Este aqui abaixo era do tamanho de uma uva e no entanto continha inúmeros elementos. Cansativo....




O serviço era cheio de mesuras, irritante, até. As apresentações dos pratos, belíssimas - muitas vezes, servia-se a comida sobre pedras ao invés de porcelana. Pena que o sabor não correspondesse a tanto esforço. 

O Chez Dominique ocupa a 23a posição no ranking World's 50 Best Restaurants (hãn?!) Aposto que vai descer alguns pontos no ano que vem...

Dos highlights, o que mais me marcou foi a sobremesa belíssima que misturava elementos amarelos (feitos com um berry local da mesma cor) e negros (em forma de uma pincelada e mini suspirozinhos de licorice).


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No dia seguinte, almocei no Savoy, um lugar muito chique e tradicional na cobertura de um prédio.



Este, sim, me pareceu excelente, embora alguns pratos – como a beterraba com queijo de cabra e mel produzido ali mesmo – fossem totalmente déja vus.



Melhor era o arenque da Noruega com cubinhos de batata frita e de crouton de pão preto.


 Perfeitamente casado com uma cerveja da casa, orgânica, servida em lindo copo de design finlandês:



O ponto alto do almoço de cinco serviços foi o peixe (perch) servido com alho-poró, floretes de brócolis e couve-flor, uma brunoise microscópica de cenoura e um molho espumoso que lembrava uma beurre blanc, porém mais adocicado. Quase doce demais, aliás.




Além da ótima comida, outro ponto a favor do classudo Savoy é seu terraço coberto (verrière) cujas mesas, todas, têm belíssima vista para uma bela praça, torres e, mais ao fundo, uma nesga de mar.

Chez Dominique: Rikhardinkatu 4, tel. +358 (0) 9 612-7393, www.chezdominique.fi/home_cd2
Savoy: Etelaesplanadi 14, tel. +358 (0) 9 684-4020, www.royalravintolat.com

Skradin, um porto de charme na Croácia.

por Antonella Kann

A costa da Dalmácia é um dos litorais mais bonitos do Adriático croata. Skradin, vilarejo histórico de origem romana, localizado dentro de um dos mais belos parques nacionais da Croácia, o Krka, merece constar do itinerário de quem vai velejar por aquela região. Nesta época do ano, a temperatura ainda é amena e os preços mais em conta.


Com capacidade para apenas 220 barcos de até 25 metros ( 75”), a marina de Skradin é aconchegante e cheia de personalidade, mesmo com o número crescente de embarcações. E, para quem preza este atributo, saiba que não há planos para mudanças ou ampliação drástica de suas instalações, como ocorreu na maioria das marinas do litoral da Croácia.

O porto mantém há 25 anos o jeitinho de antigamente e a atmosfera de cidade de interior, quando apenas barcos de pescadores locais transitavam por ali.




Skradin visto de longe: charme e autenticidade.



A jornada inclui uma inesquecível velejada pelo rio Krka (nem tente pronunciar determinados nomes locais sob risco de enrolar a língua para sempre !), que serpenteia preguiçosamente, continente adentro, por cerca de 12 milhas, até alcançar o porto deste charmoso vilarejo localizado quase num península.



Além da tipicidade do local, que está abrigado das violentas rajadas de vento que costumam assolar a região, a mais famosa atração do local são as cachoeiras de Krka, que ficam a cerca de 5 quilômetros de distancia da cidade.



Além desse passeio, vale explorar a cidade para bisbilhotar as lojinhas de souvenirs, observar a pacata rotina dos habitantes que ficam preguiçosamente sentados na soleira de suas casas vendo a vida passar ou descansar em algum café debaixo de uma árvore, aproveitando uma sombrinha. Em setembro, o movimento dos turistas já baixou para níveis aceitáveis, onde é possível conviver com a autenticidade do vilarejo sem esbarrar em multidões.



Come-se razoavelmente bem, podendo escolher entre dezenas de restaurantes servindo praticamente as mesmas especialidades croatas e, pasme! , o peixe é sempre o item mais caro do cardápio. Vale ressaltar que o Adriático é lindo, porém longe de ser piscoso, ou seja, eles botam na frigideira qualquer coisa que nade. De qualquer maneira, os frutos do mar são sempre frescos e vale a pena experimentar os mexilhões locais, em geral cozidos no vapor.



Quando estiver perambulando pelas ruelas estreitas, preste atenção nos muros das casas e de igrejas: em muitos se alojaram balas perdidas durante a guerra e que deixam marcas perenes na memória daquela gente.

uma loja no vilarejo vende sandálias havaianas. Pode?!

Embora tenha progredido no decorrer da última década, mas viu o fluxo de turismo saltar para 10 milhões de visitantes apenas em 2006, a Croácia ainda se mantém um pouco tímida e arraigada às suas tradições. A maioria dos habitantes não fala outro idioma, mas felizmente os cardápios são impressos em inglês, francês, alemão e espanhol.




E, como são absolutamente fanáticos por futebol, a simples menção de ser um brasileiro é suficiente para desatar qualquer nó na comunicação e ser atendido com o máximo de simpatia croata. Sem contar com uma inevitável referência a algum jogador famoso.









Madeira, a ilha da eterna primavera.

por Antonella Kann

A 500 km da costa africana e a pouco mais de uma hora de vôo de Lisboa, a pequena ilha da Madeira é a pérola do Atlântico. Acredite: em Madeira tem até Carnaval, com samba e desfiles, e uma das festas de final de ano mais reverenciada do mundo. E, não faltam opções de lazer, eventos culturais e esportivos além de um leque de atividades ao ar livre para os mais diversos gostos. Além da beleza natural, a Ilha é também um reduto atraente para os golfistas. Tem um clima excelente e sedia há 16 anos o Madeira Island Open, uma competição que faz parte do European Tour.


A origem da Madeira remonta a 18 milhões de anos como resultado de uma explosão de lava. Sua topografia é atormentada, cheia de relevos e precipícios.

Só o Pico do Arieiro, a 1818 metros acima do nível do mar, levou 15 milhões de anos para atingir esta altura. A ilha é uma montanha submersa em cuja superfície habitam 202 espécies de pássaros, das quais uma delas, a bisbis, é raridade que só se encontra mesmo por aqui. Funchal já foi assolado pela cólera e a peste além de ser pilhada por soldados no século 16.



Se na belle époque as danças ao ar livre, os passeios em carros de bois e as excursões em rede – com personal carregadores - eram as diversões de destaque , hoje as opções de lazer são muito mais diversificadas. Os bois e a rede foram extintos por razões óbvias, e substituídos por caminhadas ecológicas, passeios de mountain bike e cavalgadas.



No entanto, ainda se joga roleta e blackjack no Casino de Madeira, e embora o chá dançante tenha caído em desuso, persiste a instituição do chá das 5 em vários estabelecimentos, como no Reid´s, com direito aos tradicionais cones e delicados canapés.


Ao turista em busca de novas emoções, são ofertadas atividades inusitadas, como nadar (literalmente) ao lado de golfinhos, admirar de perto as baleias que estão sempre rondando e até voar de balão sobre Funchal.


Para os mais ousados, o terreno da ilha se presta a todos os esportes radicais – leia-se canoagem, safáris em jipe, escaladas e windsurf. Aos que buscam apenas momentos zen, não faltam os spas para relaxar. E como se não bastasse, o cenário também é perfeito para quem quer curtir uma experiência romântica. Na luxuosa rede hoteleira, não faltam pacotes para casais em lua-de-mel.

E, na medida em que voce roda pela ilha ( prefira sempre a estrada turística e não a "rápida"), se dá conta que é um lugar cheio de atrativos naturais. Madeira é rodeada por lindas paisagens formadas por bosques, penhascos e morros íngremes de um verde exuberante, e suas águas cândidas e mornas fazem jus ao banho de mar mundialmente renomado.


O seu micro-clima é ideal, temperado na medida certa: nem muito frio nem temperaturas muito elevadas, mesmo em pleno verão. Além disso, a infra-estrutura turística é cheia de mimos. Poucas ilhas têm tantos hotéis cinco estrelas concentrados numa mesma cidade como Funchal. Por isso, sempre foi (e ainda é) um dos destinos escolhidos a dedo pelos europeus para a lua-de-mel.

O centro de Funchal, o mercado e o ambiente tranquilo da ilha : atração turística o ano inteiro.